Sou vereadora em Jussara (PR), professora, mulher pública e mãe. Mas antes disso, sou uma mulher que decidiu romper um ciclo. O silêncio que marcou minha infância me ensinou que a dor escondida é tão perigosa quanto a dor gritante. Por isso, escolhi a política como instrumento de transformação. Minha missão vai além dos projetos: quero garantir que outras mulheres não precisem enfrentar caladas o que tantas enfrentaram antes de mim.
Minha história
Sou filha de uma mulher que enfrentou silêncios profundos e de um pai que, diante de dificuldades emocionais e financeiras, buscou refúgio onde só encontrou mais dor. A instabilidade familiar marcou minha infância com insegurança e medo.
Não sofri agressões físicas, mas cresci acreditando que ser a melhor aluna, a filha exemplar, poderia me proteger daquilo que não se dizia, mas se sentia todos os dias.
Dormia em um quarto improvisado, tentando me proteger do frio e dos insetos, sonhando com um lugar acolhedor, com luz e cortinas cor de rosa. Era minha forma de manter viva a esperança. Fingir normalidade virou uma armadura, e o estudo, minha rota de fuga e transformação.
Com pouco mais de 17 anos, já professora, me casei. A educação me deu autonomia. Me tornei diretora escolar e construí uma carreira sólida. Depois, vereadora. Nunca planejei isso, mas entendi que a política era o caminho natural para dar voz ao que, por muito tempo, precisei calar. Hoje, tenho orgulho de usar meu espaço público para lutar pelas causas em que acredito: mulheres, famílias e educação. Mas não qualquer família. Defendo a família que acolhe, que protege e não fere.
A mulher que rompeu o ciclo
Meu pai, com o tempo, conseguiu vencer seus conflitos. E nossa convivência familiar se transformou. Ele foi um avô amoroso e presente. Cuidei dele até seu último suspiro. Mas as marcas da infância seguiram comigo. E foi justamente por não aceitar repetir aquela história que escolhi caminhos diferentes. Sou mãe de uma mulher forte, e avó de uma menina que crescerá sabendo do seu valor. O ciclo foi rompido em mim.
Como vereadora, levo minha experiência de superação para os espaços de decisão. Participei da criação de políticas públicas voltadas à proteção da mulher, ampliei o diálogo com comunidades carentes, e trabalho com firmeza por uma educação mais justa. Não me calo diante da injustiça. Nem cedo diante do assédio, seja ele institucional ou pessoal.
Conclusão
Eu era a criança que todos sabiam o que vivia, mas fingiam não ver. Hoje sou a mulher que ninguém mais pode calar.
Luto todos os dias para que outras meninas não tenham que viver com medo. Para que outras mães saibam que é possível criar filhas livres. E para que nenhuma mulher precise mais se convencer de que está tudo bem quando, na verdade, está vivendo dentro de um campo de guerra.
Hoje, com coragem, escrevo aquilo que nunca tive forças para dizer em voz alta: a dor não me destruiu. Ela me transformou. E que a minha história alcance quem ainda acha que não tem saída.